terça-feira, 15 de novembro de 2016

Memória, de Claro Enigma. Interpretação e gramática.

MEMÓRIA

Amar o perdido
deixa 1 /confundido 2/
/este coração 3/.

/Nada/5 pode /o olvido/4
contra o sem sentido
apelo /do Não/. 5

As coisas tangíveis
tornam-se /insensíveis/6
à palma da mão

Mas /as coisas findas/,7
muito mais que lindas,
essas /ficarão/.8


Qual é a função sintática de 
1
2
3

Por que o eu lírico associa a palavra 'olvido' que é esquecimento com ' o sem sentido apelo do não"? Tente explicar de modo bem sucinto.

A partir da conjunção adversativa, o eu lírico toma uma postura diferente daquela ligada à perda do ser amado.  Que postura é essa?


Mas /as coisas findas/,
muito mais que lindas,
essas /ficarão/.

O verbo 'ficar' apresenta duplo sentido. Um é classificado como predicado verbal; o outro, como nominal.
Explique os dois sentidos que os dois  predicados carregam. 





segunda-feira, 14 de novembro de 2016

DE CLARO ENIGMA - AMAR

INTERPRETAÇÃO E GRAMÁTICA

TERMINO AMANHÃ À TARDE


Amar
Carlos Drummond de Andrade
  

Que pode uma criatura senão,
Entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar ,
Amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal, senão
Rodar também, e amar?
Amar /o/ 1 que o mar traz à praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
É /sal/2 , ou /precisão/2 de amor/ 3, ou /simples ânsia/2?
Amar solenemente as palmas do deserto,
O que é entrega ou adoração expectante,
E amar o inóspito, o áspero,
Um vaso /sem flor/4, um chão /de ferro/4,
E o peito inerte, e a /rua vista/ 5 em sonho,
E uma ave de rapina.
Este o nosso destino: Amor /sem conta/4 ,
Distribuído 6 pelas coisas pérfidas ou nulas,
/Doação ilimitada a uma completa ingratidão/7,
E na concha vazia do amor /à procura medrosa/8,
Paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma /de amor/9,
E na secura nossa, amar a água /implícita/10,
E o beijo /tácito/10, e a sede infinita.

Classifique sintaticamente os termos de 1 a 10.
Exceção: o número 6
6 Por que podemos dizer que temos aí uma oração e não um termo de oração?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal, senão
Rodar também, e amar?

O poeta liga o verbo 'rodar' ao 'amar' para demonstrar a necessidade de amar quase que de modo obrigatório.
Explicite o porquê dessa ligação. Que semelhança ha entre esses verbos?


Amar /o/  que o mar traz à praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
É /sal/ , ou /precisão/ de amor/ , ou /simples ânsia/?

Busque no excerto uma antítese. 


O que é entrega ou adoração expectante,
E amar o inóspito, o áspero,
Um vaso /sem flor/4, um chão /de ferro/4,
E o peito inerte, e a /rua vista/ 5 em sonho,
E uma ave de rapina.
Este o nosso destino: Amor /sem conta/4 ,
Distribuído 6 pelas coisas pérfidas ou nulas,
/Doação ilimitada a uma completa ingratidão/7,
E na concha vazia do amor /à procura medrosa

Busque 2 antíteses no excerto. 

Preencha as lacunas
Amor sem conta
amar de modo ...........
Doação ilimitada
amar de modo ............
Procura  medrosa
procurar de modo..........

No seguinte excerto temos signos de ausência ou de  presença? 
E na secura nossa, amar a água /implícita/10,
E o beijo /tácito/10, e a sede infinita.







Texto de Drummond. Sintaxe e texto.

MENINO CHORANDO NA NOITE
Na noite lenta e morna, morta noite sem ruído, um menino chora.
O choro atrás da parede, a luz atrás da vidraça perdem-se 1  na sombra dos passos abafados 2, das vozes extenuadas.
 E no entanto se ouve até o rumor da gota de remédio 3   caindo na colher.
Um menino chora na noite, atrás da parede, atrás da rua, longe um menino chora, em outra cidade talvez, talvez em outro mundo.
 E vejo a mão que 4  levanta a colher, enquanto a outra sustenta a cabeça e vejo o fio oleoso que escorre do queixo do menino, escorre pela rua, escorre pela cidade (um fio apenas). E não há ninguém5/ mais 6 no mundo a não ser esse menino chorando.
Faça a análise morfossintática de 1 a 5
6
A conjunção “ no entanto” liga ideias contrárias. Quais são elas?
7
Que figura de linguagem encontramos no excerto
“... em outra cidade talvez, talvez em outro mundo “
8  Há indícios de quantas pessoas no poema  ?

9 – “ E não há ninguém mais no mundo a não ser esse menino chorando”.
Aponte os sentidos que você pode apreender com essa frase.